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As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica.

Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito crítico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio, ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado.

Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para o bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis.

Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte de preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de produção e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito ou a liberdade de Espírito dos outros.

No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma coacção de governo, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.

Agostinho da Silva, in ‘Textos e Ensaios Filosóficos’

Se estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios, menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se conhecêssemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projecção ou como sendo realmente a projecção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios, reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem ajustados, facilmente etiquetáveis.

Agostinho da Silva, in ‘Sobre as Escolhas’

Numa altura em que Portugal está envolvido numa baileburdia politica, com os seus politiqueiros e politiquices de algibeira furada, descobri este vídeo e não resisti… Se calhar, falta a este país alguém que tenha um rasgo de criatividade assim… sincero e verdadeiramente original!!

poema

Em todas as ruas te encontro

em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo

sonhei tanto a tua figura

que é de olhos fechados que eu ando

a limitar a tua altura

e bebo a água e sorvo o ar

que te atravessou a cintura

tanto, tão perto, tão real

que o meu corpo se transfigura

e toca o seu próprio elemento

num corpo que já não é seu

num rio que desapareceu

onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro

em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

Preguiça

“Preguiça não é nada mais do que hábito de descansar antes de ficar cansado.” Jules Renard

Palavras leva-as o vento mas há palavras que nunca deviam ser ouvidas e outras que ficam por ouvir….
Falar é fácil mas sentir o que se diz já nem tanto, e por isso as palavras se não forem escudadas por uma atitude, às vezes de nada valem. A atitude certa no momento certo, pode fazer toda a diferença… ou então não! E o silêncio?! Diz o ditado popular que o silêncio de um olhar revela mil palavras mas é preciso que quem está a ver saiba descodificar essas mil palavras, senão não tem sentido e transforma-se num olhar vago e perdido! Também diz o povo sábio que quem cala consente. Eu não acho! Acho que às vezes nos calamos porque do outro lado nem sequer uma resposta merecem!…